Com a confirmação da indicação do deputado federal Josias Gomes (PT) ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), oficializada na noite de ontem (11) e antecipada pelo Política Livre (clique aqui para ler), o PT já articula o próximo passo: manter o deputado federal licenciado Afonso Florence (PT) à frente da Casa Civil até abril de 2026, prazo limite da desincompatibilização para quem vai concorrer no pleito de outubro.
A permanência de Afonso no cargo é considerada estratégica para permitir que a segunda suplente do partido, Elisangela Araújo, assuma o mandato na Câmara nos primeiros quatro meses do próximo ano. Assim, ela disputaria para deputada federal com um pouco mais de musculatura.
Jerônimo já sinalizou que pretende fazer a reforma administrativa, promovendo a saída dos auxiliares que serão candidatos, entre dezembro deste ano e janeiro de 2026. Mas estaria disposto a abrir uma exceção no caso de Afonso Florence, que comanda uma pasta responsável por projetos estratégicos, a exemplo do VLT e da nova rodoviária de Salvador.
Vale frisar que Elisangela sempre foi próxima do senador Jaques Wagner (PT), de quem já foi assessora. Ela vinha cogitando, segundo apurou o site, migrar para outro partido da base do governo, insatisfeita com a preferência de Wagner e dos dirigentes petistas baianos pela candidatura de Lucas Reis (PT), chefe de gabinete do senador, a deputado federal. Se assumir temporariamente o mandato, a tendência é que fique na legenda.
A indicação de Josias Gomes ao TCE foi defendida internamente pelo próprio PT justamente para abrir caminho à ascensão de Elisangela. A expectativa da sigla era que a nomeação ocorresse há meses atrás, mas o processo ficou paralisado por mais de um ano devido ao imbróglio jurídico envolvendo a vaga aberta com a morte do conselheiro Pedro Lino, em setembro de 2024.
A primeira escolha de Jerônimo para o TCE entre os petistas não era Josias, mas sim Afonso Florence, como revelou o Política Livre em fevereiro deste ano (clique aqui para ler). Porém, diante da insegurança jurídica e da demora para que o Supremo Tribunal Federal (STF) resolvesse a disputa sobre quem teria direito à indicação, pleiteada também pelos auditores da Corte de contas, Afonso recusou.
No arranjo atual, Josias é o primeiro suplente da chapa. Elisangela, que já foi secretária de Políticas para as Mulheres de Jerônimo, a segunda. Josias assumiu o mandato apenas porque Afonso está no secretariado, mas nunca teve controle total da estrutura parlamentar — nem sobre nomeações, nem sobre a destinação de emendas. Já Elisangela chegou a assumir a cadeira na Câmara nas eleições, quando o deputado Zé Neto (PT) tirou licença para se dedicar à campanha para prefeito de Feira de Santana, da qual foi derrotado.
Resistência na Assembleia
A expectativa é que a indicação de Josias Gomes ao TCE seja aprovada na Assembleia, pois o governo tem maioria. Mas como já mostrou o site, o caminho do petista será turbulento. Há um movimento entre parlamentares governistas, em conjunto com a oposição, contrário ao petista (clique aqui para ler).
A votação deve ocorrer terça-feira (16), primeiro na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, em seguida, no plenário, em voto secreto. No mesmo dia, a Casa também deve votar a indicação do deputado federal Otto Alencar Filho (PSD), já aprovado na CCJ. O suplente de Otto é Charles Fernandes (PSD), que deixou recentemente a cadeira após a saída do correligionário Sérgio Brito da Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra).
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